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Do ballet ao LoL: a atleta que virou "mãe do Yoda" e empresária nos eSports

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Adriana Piller e o filho, Felipe "Yoda" Noronha Imagem: Reprodução

Bruno Izidro

Do START, em São Paulo

2019-07-05T04:00:00

05/07/2019 04h00

O esporte sempre esteve presente na vida de Adriana Piller. Ela já foi bailarina profissional, disputou torneios de vôlei e furou muitas adversárias em competições de esgrima. A paixão virou profissão quando se formou em Educação Física e rendeu até carreira militar ao gerenciar o Departamento Esportivo da Associação dos Oficiais Militares de São Paulo.

Hoje ela ainda está envolvida nos esportes, mas nos eletrônicos. Ela é sócia da SehLoiro, que desenvolve e licencia marcas de eSports, e diretora executiva da N0line, empresa de criação de conteúdo para o universo dos games, além de docente na Live Arena.

Eu não acho que a legitimação (dos eSports) seja a coisa mais importante no momento

Ah, a Adriana também tem um filho chamado Felipe Noronha, mais conhecido como "Yoda". Ele é um dos streamers mais populares do Brasil, e jogador profissional de "League of Legends", atuando pela RED Canids no Circuito Desafiante do CBLoL. Mas isso é só um detalhe.

Para saber mais sobre a ex-esportista e empresária de eSports, o START conversou com Adriana durante o BIG Festival.

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Adriana faz parte da equipe do Live Arena Imagem: Reprodução

START: Você é formada em Educação Física, e criou uma carreira nos esportes tradicionais. Como você vê hoje os esportes eletrônicos, que ainda são muito desmerecidos em comparação aos tradicionais?

Adriana Piller: O preconceito que hoje existe no esporte eletrônico era o mesmo há 30 anos com o esporte. Eles são incrivelmente iguais. Antes eu ouvia: "mas você só dá aula?". Hoje é: "mas você só joga joguinho?"

São paradigmas que a gente precisa quebrar, e eu passei pelo processo de formalização do esporte tradicional de forma muito semelhante. A gente não tinha um conselho regional de Educação Física, e hoje eu percebo o mesmo movimento nos eSports, o mesmo diálogo com a educação e forçar a sociedade a entender as barreiras.

START: Você acha que os esportes eletrônicos precisam dessa legitimação de serem reconhecidos como esporte, de estarem nas Olimpíadas?

Adriana: Particularmente falando, acho que isso é idealismo. Seria bacana estar em uma Olimpíada, né? Porque a gente desenvolve talentos e competências semelhantes ao do esporte.

Eu só não acho que essa legitimação seja a coisa mais importante no momento. Até porque as publishers são muito grandes. Eu não creio que elas vão querer se encaixar e se enquadrar em uma lei de atleta, com o Ministério do Esporte... Lá atrás eu levantava essa bandeira. Eu falava: "tem que legalizar (o eSports), sim, a gente tem que ter uma lei para lutar por isso". Hoje eu penso: "será (que precisa)?"

START: Com relação a torneios femininos em eSports, como uma ex-atleta e mulher, como você vê essa resistência e discussão entre torneios mistos ou separados para mulheres nos eSports?

Adriana: Eu posso falar como esportista tradicional, uma educadora física. Eu joguei vôlei por muito tempo na carreira e lutei esgrima.

O que se tem de conceitos físicos no gênero masculino é diferente do feminino, e eu acredito que isso, pra prática do esporte eletrônico, é semelhante.

Então, me inquieta um pouco essa história do (torneio) misto. Eu não sei se estou falando bobagem, porque eu não jogo, não gostaria de falar se isso está errado ou certo, mas trazendo o (exemplo do) esporte tradicional... cada um no seu quadrado.

START: Em que momento o lado mãe é mais forte que o lado empresária/sócia?

Adriana: Eu ainda faço assessoria do Yoda. Isso já faz sete anos e eu não empresto, não "loco" pra ninguém esse cargo, porque a gente se dá muito bem e sempre foi próximo, pelo Yoda ter sido esportista (antes de virar pro-player).

Então, é muito tranquilo para mim, não deixar o emocional superar a sócia. Para você ter uma ideia, eu apareci como mãe do Yoda tem um ano. Antes eu sempre fui a Adriana, sócia do Yoda. Muitas pessoas não sabiam que eu era a mãe dele.

Mas o momento em que o lado mãe fala mais alto é quando eu fecho um novo contrato. Mesmo com os advogados envolvidos, o jurídico, eu sempre me pego no emocional por causa da preocupação de tudo o que pode acontecer se algo der errado no papel ou durante a ação.

Divulgação/Riot Games
Yoda foi campeão do CBLoL 2017 - Primeira Etapa, mas depois foi suspenso de torneio internacional da Riot Games Imagem: Divulgação/Riot Games

START: Em 2017, o Yoda passou por um grande momento na carreira, ao ganhar a Primeira Etapa do CBLoL, mas logo depois ele foi suspenso e multado por "linguagem racial ofensiva". Como você lidou com isso na época? O que conversou com ele?

Adriana: A gente não viu como uma crise. O que o público de fora entende como crise foi, na verdade, um momento de ingenuidade dele e a gente levou de boa (a punição). O que ele ficou chateado foi por não ter jogado, o que também faz parte.

Não foi algo pesado, como talvez muitas pessoas enxergam.

START: Naquele momento, você foi mais mãe do que assessora?

Adriana: De novo, não. Eu fui mais a sócia. A primeira atitude que eu tomei não foi falar com o Yoda, foi falar com a Riot, e a Riot nos deu todo o apoio.

START: Hoje em dia, incomoda para você ser vista só como a "mãe do Yoda"?

Adriana: Não me incomoda, porque eu sou mesmo mãe dele, né? Ele é meu orgulho. O que eu não gosto é de enaltecer isso.

START: Você já chegou a jogar alguma coisa de "League of Legends" ou até mesmo outros games depois que você entrou nesse mundo?

Adriana: Não, eu não gosto de jogar. O que eu joguei muito (quando criança) era o "River Raid", no Atari.

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