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Lucas Silveira, da Fresno: fã de games retrô e mais de 15 consoles em casa

Gui Caielli/Divulgação
Lucas Silveira em sua "caverna" que abriga a coleção de games e consoles Imagem: Gui Caielli/Divulgação

Bruno Dias

Colaboração para o START, em São Paulo

2019-06-16T04:00:00

16/06/2019 04h00

Lucas Silveira, 35, é autor de canções como "Desde Quando Você se Foi" e "Alguém Que Te Faz Sorrir", mas o músico líder da Fresno não é apenas um colecionador de hits. Quem acompanha Lucas nas redes sociais sabe que ele é um "gamer raiz", apaixonado mesmo por videogames.

Em sua casa, ele acumula consoles de diferentes gerações (são pelo menos 15 diferentes) como os clássicos Atari, 3DO, Neo Geo até mais recentes como PlayStation 4 e Xbox One.

"Minha relação com games não tem nada de especial se for comparar com qualquer pessoa de 30 e poucos anos que tinha condições de ter um videogame no final dos anos 80, começo dos 90", conta Lucas Silveira.

"Lembro da minha primeira memória. Minha mãe jogando um jogo de tênis no Atari. Não tinha idade pra jogar, devia ter uns 3, 4 anos, e achava muito massa aquela coisa que deixava as pessoas em volta da TV, meus irmãos mais velhos. Desde o Atari, que seria de fato um sucesso com muitos jogos, até agora, sei lá, o PlayStation 4, nunca parei de jogar. Isso é o que me diferencia de qualquer pessoa."

A coleção de consoles na garagem de casa, a "man cave" ("caverna do homem", em uma tradução livre) do vocalista da Fresno, são a prova dessa linha do tempo dos games vivida por ele, que passou por "absolutamente todos os consoles".

Minha primeira memória é minha mãe jogando um jogo de tênis no Atari. Achava muito massa aquela coisa que deixava as pessoas em volta da TV.
Lucas Silveira, da Fresno

"Não teve um que pulei. Teve uma fase da minha vida que joguei menos, quando mudei pra São Paulo, morava de galera", explica. "Conforme fui morar sozinho, comecei a ganhar meu dinheiro, passei a comprar consoles antigos. Tenho uma coleção bem completa de tudo que já joguei. Quando abri uma conta no eBay, há 15 anos, passei a comprar tudo. Todos com qualidade de colecionador, muito conservados. Antes tinha todos eles 'ligados', depois fui ficando mais chato e coloquei todos na caixa e nunca mais abri."

Paixão pelo 3DO

O 3DO Interactive Multiplayer, ou apenas 3DO, é um dos primeiros videogames domésticos de 32-bits da história. Lançado em 1993 pela Panasonic, o console é um dos xodós de Lucas, que era o "diferentão" do rolê, pois quando todo mundo comprava a primeira geração do PlayStation, no final da década de 90, ele dedicava todo seu tempo livre ao 3DO.

Minha mãe conseguiu um 3DO com um cara que trazia coisas do Paraguai. Acho que é o mais obscuro que tenho, que gosto mesmo
Lucas Silveira, da Fresno

Lucas vasculhava os classificados dos jornais e depois cruzava Porto Alegre ao lado da mãe em busca de jogos. "Era sempre nas casas de umas velhinhas que iam pro Paraguai e compravam umas coisas. Lembro que uma vez minha mãe pegou o carro e foi comigo até o fim do mundo de Porto Alegre pra comprar um jogo de futebol pro 3DO, o "V Goal Soccer", que era um negócio horrível."

"Depois teve uma locadora que fechou, vendi praticamente tudo que tinha em casa, moletom, tudo mesmo. Porque fui e comprei o estoque inteiro, isso foi em 1998, mais ou menos, em Porto Alegre. Comprei o estoque inteiro de jogos de 3DO que eles tinham, eles vinham caixa enorme, era muito lindo", relembra. "Em algum momento troquei esse 3DO por um PlayStation e esse amigo me deu esse 3DO de presente de volta uns 15 anos depois. Ele tá na minha casa, não funciona mais, mas está lá de decoração."

Loucura por games

Lucas Silveira hoje se considera um "hipster de games", e um dos consoles clássicos que ele mais tem orgulho de ter em casa é um Neo Geo, sistema que durou de 1990 até 2004.

"Nenhum console durou quase 15 anos e o Neo Geo durou porque era uma máquina f***. Ninguém tinha dinheiro pra ter um Neo Geo naquela época, deveria ser o equivalente a uns R$ 5 mil hoje", empolga-se o vocalista da Fresno, que depois de mais velho comprou não só um console, como arrematou um fliperama ("daqueles de bar") que era uma máquina Neo Geo dentro, e não um emulador. "Comprei por causa do que tinha dentro dele, tá na minha garagem até hoje, mas funcionando. O monitor está meio cagado, mas funciona."

Além de tentar arrematar jogos raros, Lucas gosta de pesquisar sobre o Neo Geo, pois existem "muitas histórias de jogos que fizeram poucos, que sumiram, que estão valendo muito no eBay e Mercado Livre". "Comprei esses tempos um jogo bem raro, que é o SVC Chaos: SNK vs. Capcom, comprei em uma viagem que fiz e fiquei sabendo que hoje o cartucho vale uns R$ 5 mil. Depois disso pensei, 'nossa, minha coleção de videogame, que era uma jogação de dinheiro fora, virou um investimento'", brinca.

Em ritmo de Copa, só que a de 1994. #3do #OldGaming

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E é justamente do Neo Geo o jogo desejo de Lucas Silveira, o Mark of The Wolves: "É meio que um dos jogos mais caros que existem, só tenho uma emulação dele. Não tem nada demais, mas foi eleito um dos maiores jogos de luta de todos os tempos. Ele custa o preço de um carro. Gostaria muito de tê-lo lacrado, mas vou ter que esperar. Esse é o tipo de jogo que nem abro". (risos)

Momento só dele

Apesar de às vezes reunir amigos pra jogar, o lance do Lucas Silveira é jogar sozinho em casa. Ele espera todo mundo em casa ir dormir, isso inclui a filha de 3 anos dele com a skatista Karen Jonz, Sky Jonz Silveira. "Quando estou com tempo, sem nada pra fazer, dou aquela jogadinha antes de dormir, porque também não posso ir até muito tarde. O último jogo que joguei assim foi o 'Overwatch', mas agora estou um pouco parado nele. Atualmente estou jogando 'Forza Horizon'", entrega.

Mas se engana quem pensa que a pequena Sky não se mete na "jogatina" do pai, foi ela quem apresentou Kingdom Hearts III pra ele: "Baixei esse jogo pro Xbox e jogo com a Sky, que dizer, ela meio que assiste, porque ela ainda não consegue jogar, é como se ela tivesse vendo um filme, porque o personagenzinho, o Sora, vai se desenvolvendo em todas as histórias famosas da Disney, atualmente a gente está no mundo do Monstros S.A.. É um jogo muito da hora, os combates são muito f***, aquelas golpes que destroem um quarteirão inteiro".

Top 5 Jogos

Decap Attack (1990)

Reprodução
Imagem: Reprodução

"Era uma múmia, jogo meio que de uma história de terror, que pra zerar era muita sacanagem, muito complicado".

The Witcher 3: Wild Hunt (2015)

Divulgação
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"Pra mim, um dos jogos que é uma obra de arte, que eu não queria ter acabado ele. Por mim eles poderiam ficar dez anos só lançando expansões naquele universo, o negócio era muito bem feito".

Halo 3 (2007)

Divulgação/Bungie Studios
Imagem: Divulgação/Bungie Studios

"Foi um jogo que joguei pra c******. Gostava muito de jogar, já é menos historinha, um negócio mais de tiro mesmo. Joguei muito".

Need for Speed (1994)

Reprodução
Imagem: Reprodução

"Gosto muito de jogo de corrida, ao contrário de uma galera que é supergamer. O 3DO valia a pena por uns cinco jogos, e o Need For Speed era um deles".

Alex Kidd in Miracle World (1986)

Reprodução
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"Não pode deixar de ter no meu Top 5, é aquele que vinha no Master System".

Quem desafiaria pra um 1 vs. 1?

"Sei que o Criolo joga também, que é muito gamer, só que ele não fala muito. Na época que eu ganhava coisas do Xbox, ele tava sempre no mailing dos caras. Desafiaria o Criolo pra jogar, pode ser até um FIFA."

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