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E3 2019


O filme de "The Division" tem tudo pra dar certo

Divulgação
"The Division" é apenas um dos diversos games inspirados na obra do escritor Tom Clancy Imagem: Divulgação

Eduardo Pereira

Do START, em São Paulo

2019-06-14T12:00:00

14/06/2019 12h00

Se "Detetive Pikachu" conseguiu resgatar um pouco da fé do gamer nos filmes inspirados em jogos eletrônicos, vem aí uma adaptação que tem tudo para fortalecer essa entrada numa nova era, bem longe de abominações como "Super Mario Bros.", "Doom" e "Hitman": "The Division".

A Netflix aproveitou a E3 para anunciar a compra dos direitos de adaptação da franquia da Ubisoft, inspirada na obra do escritor americano Tom Clancy, morto em 2013, que já inspirou jogos incríveis como "Splinter Cell", "Ghost Recon" e "Rainbow Six". A produtora ainda divulgou nomes dos principais atores, roteirista e diretor: Jake Gyllenhaal, Jessica Chastain, Rafe Judkins e David Leitch.

Retratando a luta pela sobrevivência e reconstrução da humanidade em um EUA varrido por uma epidemia fatal, incluindo guerras entre facções criminosas, militares e paramilitares, a série de games parece feita sob medida para ser transformada em filme.

Antes de ser um game, é Tom Clancy

Beleza, a gente entende: quantas não foram as vezes em que vimos a empolgação por um filme inspirado em um game querido ir por água abaixo? Mas, aqui, a história é outra: não se trata só da adaptação de um jogo de sucesso, mas também de uma história de Tom Clancy - e o cinema já está careca de incorporar, com sucesso, as tramas do escritor.

"Caçada ao Outubro Vermelho", de 1985; "Jogos Patrióticos", de 1987 e "A Soma de Todos os Medos" - além da recente série da Amazon Prime "Jack Ryan" - são todos testamentos de que a mistura de espionagem, militarismo e conspiracionismo pensadas pelo escritor em suas tramas se encaixa bem nos moldes do cinema tradicional norte-americano. É algo muito menos complexo, e logo com bem menos risco de erros bizarros que, digamos, levar às telonas um "Assassin's Creed", afinal.

Protagonistas mais que capazes

Falando em "Assassin's", é verdade que nem Michael Fassbender foi capaz de salvar aquele filme da decepção certa - mas o resultado poderia ser ainda pior com um ator menos capaz e carismático no papel. Se o pior acontecer com "The Division", ao menos podemos ter a certeza de que teremos boas atuações, já que Jake Gyllenhaal e Jessica Chastain são, hoje, alguns dos melhores e maiores nomes de Hollywood.

Ele é um ator indicado ao Oscar que encanta críticos frequentemente com atuações impressionantes e transformações físicas como em "O Abutre", "Nocaute" e "Animais Noturnos", além de ser um dos grandes nomes do novo "Homem-Aranha: Longe de Casa" - e já deixou bem para trás as memórias nem tão legais do "Príncipe da Pérsia" da Disney. Ela já mostrou sua força e qualidade em papéis como os de "A Hora Mais Escura", "A Grande Jogada" e "Interestelar". De quebra, ainda protagoniza um dos principais filmes de 2019 em "It: Capítulo 2". A dupla empolga, vai?

Reprodução
Jake Gyllenhaal como o Mistério de "Homem-Aranha: Longe de Casa" Imagem: Reprodução

Espaço para criar sem desrespeitar a franquia

A escalação dessa dupla é ainda mais interessante quando pensamos que, muito provavelmente, eles darão vida a personagens originais - e sem que isso fira a memória afetiva de quem curte o game. "The Division" é um RPG de tiro/ação, que propõe a personalização do protagonista e, portanto, não cria a mesma fixação entre o jogador e o personagem, como em games como "The Last of Us" e "Red Dead Redemption".

Assim, o roteirista Rafe Judkins ganha mais tranquilidade na hora de imaginar uma história que não só funcione para agradar os fãs do jogo, como também quem só quiser assistir a um bom filme de ação. E falando nele...

História na mão de quem conhece games

Embora seja mais conhecido por ter assinado os roteiros de episódios da série de TV "Agents of Shield", Judkins foi o responsável por reescrever o roteiro inicial da adaptação de "Uncharted" para os cinemas - tomando a decisão de abordar a história pela origem de Nathan Drake, e levando o projeto a sair do papel e escalara Tom Holland como o explorador e Shawn Levy como diretor.

Bota na conta do diretor

Mesmo que o roteiro não seja lá uma obra prima, numa adaptação de uma trama de conceito até simples o que deve pesar mais é a execução, e o escolhido para o trabalho tem gabarito de sobra. Fã de luzes neon, cenas de ação com poucos cortes e menos efeitos de computação e mais efeitos práticos, David Leitch é um dos diretores mais badalados em Hollywood no momento. E não é à toa.

Carlo Allegri /Getty Images
O diretor David Leitch, de "De Volta ao Jogo" e "Deadpool 2" Imagem: Carlo Allegri /Getty Images

O primeiro filme da franquia "John Wick", "Atômica", "Deadpool 2", e o spin-off de "Velozes e Furiosos" com The Rock e Jason Statham são mais que o suficiente para garantir um voto de confiança na habilidade do cara de conduzir grandes cenas de ação com criatividade e eficiência. Vai querer mais o quê?

Mais barato que ir ao cinema

No final das contas, se "The Division" não render um bom filme, o conforto fica com o fato de que você nem terá de sair de cara para assisti-lo, já que a produção será lançada direto no serviço de streaming da Netflix.

Por outro lado, se o filme for um sucesso, você terá uma bela estreia na sala da sua casa - pronta para ser assistida quando e quantas vezes você quiser, com quem e quantas pessoas quiser ao seu lado. Se estiver com o pagamento da plataforma em dia, é claro.

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