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Torneios de eSports: qual a diferença entre ligas abertas e fechadas?

Colin-Young Wolff/Riot Games
Time de League of Legends da G2 Esports comemora o título do MSI 2019 Imagem: Colin-Young Wolff/Riot Games

Bruno Izidro

Do UOL, em São Paulo

2019-05-26T04:00:00

26/05/2019 04h00

Circuitos abertos ou fechados? Essa é uma pergunta que costuma agitar a comunidade de eSports quando comparamos os diferentes jogos e seus calendários competitivos pelo mundo. De "Counter-Strike" a "League of Legends", passando por "Street Fighter" e "Rainbow Six", cada modalidade tem suas particularidades, com suas vantagens e desvantagens.

A seguir, vamos entender melhor cada formato e trazer a visão de dois especialistas do cenário.

Divulgação/Riot Games
League of Legends: INTZ comemora o título do CBLoL 2019, que classificou o time para disputar o MSI no Vietnã Imagem: Divulgação/Riot Games

Circuito Aberto: Flexibilidade

Nos cenários competitivos que adotam um sistema aberto, os torneios são independentes e de responsabilidade de organizações terceiras, podendo ou não ter apoio da publicadora do game. O maior exemplo aqui são as competições dos jogos da Valve: "Counter-Strike" e "Dota 2".

Em "Counter-Strike", há diversos torneios que acontecem durante o ano. Os chamados Minors têm premiação total de US$ 50 mil e dão vagas para torneios Majors como IEM, StarLadder e FACEIT. Os Majors são considerados os mundiais do jogo e recebem apoio da Valve. Atualmente, um Major como o IEM de Katowice (Polônia) tem premiação total de até US$ 1 milhão.

Divulgação/BLAST
Counter-Strike: o brasileiro Coldzera, da MiBR, em partida pela BLAST Series 2019 em São Paulo Imagem: Divulgação/BLAST

Em "Dota 2", a Pro Circuit tem certo controle da Valve, mas pode ser considerada um sistema aberto, já que é composta por torneios Minors e Majors realizados por outras organizações, mas com apoio da produtora. A Pro Circuit resulta no The International, ou TI, o mundial de "Dota 2", que é realizado pela própria Valve.

De forma similar, em "Street Fighter" temos a Capcom Pro Tour, a liga oficial do cenário competitivo do jogo de luta. Ela conta com um ranking dos melhores jogadores e que leva em conta os resultados de alguns torneios independentes como o EVOLUTION, ou EVO. A Capcom Pro Tour resulta na Capcom Cup, o mundial de "Street Fighter" com os melhores colocados da liga.

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The International é o ápice do cenário competitivo de "Dota 2", o MOBA da Valve Imagem: Divulgação

Circuito Fechado: Regularidade

Em um sistema de liga ou circuito fechado, as competições são administradas pela própria desenvolvedora do jogo em um calendário restrito e fixo de competições no ano. Exemplos desse modelo são os cenários de "League of Legends" e "Overwatch". Mesmo dentro desse sistema, porém, há formatos diferentes.

No Lolzinho, a Riot divide as competições por regiões do globo e promove dois torneios internacionais principais no ano: o MSI, no primeiro semestre, e o Mundial propriamente dito, geralmente entre setembro e outubro. As competições reúnem equipes vencedoras da Ásia, Europa, América do Norte e América Latina, e os critérios de classificação consideram o retrospecto das regiões em torneios anteriores.

Tina Jo/Riot Games
League of Legends: o Mundial de 2018 foi disputado na Coreia do Sul Imagem: Tina Jo/Riot Games

Já na Overwatch League, a Blizzard trabalha com o formato de franquias, em que os times - baseados em cidades - compram as vagas no torneio, que acontece por temporadas e Playoffs. Os times são divididos entre conferências do Pacífico e do Atlântico.

Já o cenário de "Rainbow Six Siege" é uma mistura dos sistemas aberto e fechado. O circuito é organizado pela Ubisoft em conjunto com a organização ESL e, apesar de ter um calendário fixo, a liga é mais flexível, com torneios regionais como o Brasileirão R6, e internacionais como a Pro League acontecendo em paralelo. Além disso, são realizados dois Majors por ano, incluindo o Six Invitational.

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O Six Invitational, de Rainbow Six, acontece desde 2017 em Montreal, no Canadá Imagem: Divulgação

Aberto x Fechado

É claro que ambos os sistemas têm suas vantagens e desvantagens, que mudam de acordo com as particularidades dos jogos, das empresas, regiões e modelos de negócios. Para buscar uma clareza maior nessa discussão, conversamos com um especialista de cada lado.

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Gabriel Souza, o "MiT", já foi jogador e é atual técnico da paiN Gaming Academy Imagem: Divulgação/Riot Games

Gabriel Souza, mais conhecido como "MiT" no cenário de "League of Legends" e atual técnico da PaiN Gaming Academy, já conviveu tanto com o circuito aberto quanto com o circuito fechado no Lolzinho e defende o último modelo: "Eu sinceramente acho que o circuito fechado favorece muito a paixão e o esporte nacional".

MiT argumenta que o circuito fechado promove uma diversidade maior de pessoas que podem viver no eSport: "A estrutura é mais favorecida para ligas locais, que têm de seis a oito times [como é o caso do CBLOL], todos contando com algum suporte da publicadora. Seja ele financeiro ou na produção de conteúdo para alavancar números para as organizações".

Sem dúvidas, a estabilidade financeira, com jogadores recebendo salários e com plano de longo prazo para ligas, é a principal vantagem e algo que não acontece no circuito aberto.

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Giovanni Deniz, o Gio, é analista e comentarista de "CS:GO" Imagem: Divulgação

Já para o analista e comentarista de CS:GO Giovanni Deniz, o "gio", o que o circuito aberto proporciona de melhor é a competitividade, principalmente por contar com mais campeonatos internacionais.

"O circuito aberto, em sua maioria, também facilita trocas de jogadores, o que te força a estar sempre buscando a excelência na equipe em que você estiver, não importando muito se você é o melhor do time ou não, porque ninguém é insubstituível", comenta Gio. "Na minha opinião, isso faz com que os times entrem com sangue no olho para vencer, já que são praticamente chances únicas".

Gio também lembra que o circuito aberto gera mais dinheiro em competições internacionais, o que aumenta o nível de competição. Porém, perde-se em desenvolvimento dos cenários locais. "O cenário de CS (no Brasil) é uma incógnita", ele admite.

Como "CS:GO" adota um sistema aberto, não temos um campeonato nacional como o de "League of Legends", e times formados por brasileiros, como a MiBR, moram e competem fora do país.

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Na Overwatch League, os times são baseados em cidades e divididos entre conferências do Pacífico e do Atlântico Imagem: Divulgação

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