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Nostálgico na medida, "Resident Evil 2" tem tudo para ser o melhor da série

Rodrigo Lara

Colaboração ao UOL, em São Paulo

2019-01-22T14:00:00

22/01/2019 14h00

Remake. Enquanto verbo, essa palavra muito usada no mundo dos games pode ser traduzida como refazer. Natural, portanto, que os fãs a utilizassem em agosto de 2015, quando a Capcom anunciou que trabalhava em uma nova versão de "Resident Evil 2", clássico lançado em 1998 e considerado um dos melhores da franquia, a ser lançada para PC, PlayStation 4 e Xbox One.

Pouco menos de três anos depois, na E3 de 2018, a produtora japonesa finalmente divulgou um trailer e um trecho de gameplay do jogo. Foi o suficiente para vermos que a palavra remake não se aplicaria - ao menos literalmente, como o que ocorreu com o primeiro jogo da série, relançado em 2002 - ao game.

O ideal seria chamá-lo de "recriação".

Maior e mais assustador

Isso fica bastante claro já nos primeiros minutos de jogatina. A adoção de uma câmera "sobre os ombros" - como a série tem adotado desde "Resident Evil 4", salvo exceções como "Resident Evil 7" - recheia o game de tensão.

Além dessa característica gerar um campo de visão mais limitado e aumentar a chance do jogador ser surpreendido por ameaças que estão fora de vista, esse tipo de câmera também possibilita um design sonoro mais apurado, criando origens bem definidas para os sons.

É um fator a mais para os jogadores prestarem atenção durante a jornada pelo game.

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Câmera "sobre o ombro" ajuda a criar tensão em "Resident Evil 2" Imagem: Divulgação

"Resident Evil 2" também aproveita a iluminação para criar ambientes assustadores. Há, claro, uma profusão de ambientes escuros, mas mesmo em locais mais claros o clima não é nada positivo. Nesse ponto, o impacto é até maior do que o causado pelo jogo original - levando em conta, claro, as mais de duas décadas que separam o lançamento de ambos os games.

Você provavelmente pensará duas vezes antes de chegar perto de uma janela desprotegida e terá arrepios quando algum relâmpago iluminar os corredores.

Os cenários, de maneira geral, são amplos e detalhados, mas devido ao estado do local, as áreas transitáveis são um tanto limitadas. Isso acaba gerando uma curiosa sensação de claustrofobia, mesmo com uma delegacia mais ampla do que a vista no game original.

A "culpa" pelo visual caprichado do jogo é do Reach for the Moon - também conhecido por "RE" -, motor gráfico que estreou em "Resident Evil 7" e também será usado em "Devil May Cry 5" - estamos empolgados para o lançamento dele.

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Leon Kennedy e Claire Redfield estão de volta em "Resident Evil 2" Imagem: Divulgação

Nostalgia sob controle

Quem jogou a demo do game já percebeu, mas não custa reforçar: o "Resident Evil 2" de 2019 não é uma mera versão do jogo de 1998 com gráficos bonitos e jogabilidade atualizada. Há, claro, diversos momentos que fazem referências ao game original, como ver de relance um certo inimigo passando por uma janela, alguns ambientes - a sala dos S.T.A.R.S. foi um que me fez relembrar a adolescência -, além, claro, da história, tanto no todo como também em passagens específicas.

De resto, trata-se de um jogo totalmente novo. A organização espacial da delegacia e a progressão são diferentes, alguns personagens passaram a ter uma influência maior sobre a trama e outros elementos foram adicionados, como a possibilidade de fabricar munição usando potes de pólvora.

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Capcom conseguiu uma ótima mescla do novo com o clássico em "Resident Evil 2" Imagem: Divulgação

É possível escolher entre os clássicos Leon Kennedy e Claire Redfield como personagens jogáveis. A história de ambos tem pontos comuns, porém passagens distintas. O ideal é acabar as duas, já que isso permite ter uma compreensão melhor da trama e também dá acesso a conteúdos adicionais, como o modo "O Quarto Sobrevivente", no qual você controla Hunk, um mercenário a serviço da Umbrella.

O surpreendente é que essa mescla entre passado e presente foi feita de maneira magistral pela equipe do produtor Yoshiaki Hirabayashi, a ponto daqueles que jogaram o game original alternarem entre sensações tão opostas como familiaridade e surpresa.

Elogios também para a Capcom que, em vez de de seguir o caminho fácil que seria transpor literalmente a experiência do game original, conseguiu criar algo novo, mas que mantém a essência do jogo de 1998.

Não subestime o desafio

Outro ponto que aproxima o novo "Resident Evil 2" das raízes da série é exigir que os jogadores administrem bem os seus recursos. E, por mais que o game oferte munição e itens de cura com generosidade em sua primeira parte, confrontos com inimigos mais poderosos fazem essas reservas diminuírem com rapidez.

O fato de a mira seguir o padrão de "Resident Evil 7" - ou seja, o retículo perde a precisão com movimentos bruscos, fazendo você errar tiros em momentos mais tensos - também não ajuda em nada na hora de economizar.

E, acredite: você não vai querer chegar em um ponto mais avançado do game e perceber que está passando mais aperto do que deveria só porque não economizou balas no início. Sim, isso aconteceu comigo, mesmo eu passando longe de ser um novato na série e jogando na dificuldade "Padrão".

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O assustador Mr. X está de volta em "Resident Evil 2" Imagem: Divulgação

Essa é uma característica inerente aos games da série, assim como a presença de baús para armazenar itens e da máquina de escrever para salvar o jogo. O progresso também é gravado automaticamente, em geral antes de passagens relevantes. Pena que a aparição do ícone da função na tela nesses momentos acabe estragando algumas surpresas.

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Há também um outro fator: Mr. X. Essa versão aprimorada dos Tyrants - criaturas cujo exemplar foi o chefão do primeiro game da série - é uma tremenda pedra no sapato dos jogadores. A presença dele é mais frequente do que a vista no game original e, conforme o jogo avança, há momentos nos quais você passará longos períodos sendo perseguido.

Além de criar um sentimento de tensão - quando você escutar os passos do gigante, certamente vai ficar procurando de onde ele veio -, ele é um inimigo invencível. O melhor a se fazer, portanto, é não gastar munição, fugir e torcer para não ser encurralado.

Exemplo a ser seguido

Além de mudar a progressão pelo jogo, o novo "Resident Evil 2" também ficou consideravelmente mais longo do que o original - seus produtores estimam algo em torno de 20 horas para fechar as campanhas de Leon e Claire. É claro que esse tempo tende a variar de acordo com a habilidade e a coragem dos jogadores.

Em que pese a nostalgia e os diversos games bons que a série já rendeu, não é exagero nenhum dizer que o pacote que a Capcom formou nesse novo "Resident Evil 2" o coloca imediatamente entre os melhores da série - arrisco, inclusive, a dizer que tem qualidades suficientes para figurar no topo dessa lista.

Mais do que ser um ótimo game, no entanto, "Resident Evil 2" tem tudo para marcar um recomeço para a franquia de uma maneira menos radical como o que ocorreu em "Resident Evil 7", além de abrir espaço para que outros games queridos da série também ganhem o mesmo tratamento.

Convenhamos: pouca gente se oporia a isso, não é mesmo?

Nota: 10

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