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Gamers motivam indústria de smartphones a se adaptar, dizem especialistas

Smartphones como plataforma de jogo deram um considerável passo adiante neste ano

Rodrigo Lara

Colaboração para o UOL, em Sao Paulo

2018-10-14T17:53:25

14/10/2018 17h53

Estamos em um momento de transformação para a indústria de smartphones e os games têm muito a ver com isso. Não é novidade que dispositivos móveis aumentam seu protagonismo nesse segmento --prova disso é que, segundo análises da consultoria Newzoo, mais da metade do faturamento da indústria em nível global virá de plataformas como smartphones e PCs.

Mesmo já sendo uma realidade em termos de relevância e faturamento, os smartphones como plataforma de jogo deram um considerável passo adiante neste ano. E isso ocorreu por um motivo principal: a chegada de dois games que, até então, exigiam PCs ou consoles para serem jogados.

Falamos aqui de "PUBG" e "Fortnite", dois dos principais expoentes do gênero de games do momento, os jogos de tiro no estilo battle royale.

Além disso, ambos os jogos têm um perfil diferente daquilo que era visto até então na maioria dos sucessos lançados para celulares e tablets: eles são games pesados o suficiente para exigirem aparelhos mais parrudos para serem aproveitados ao máximo.

Algo muito diferente dos "Candy Crush" da vida, em geral mais leves e possíveis de serem rodados em boa parte dos smartphones.

"Com 'PUBG' e 'Fortnite', temos uma tendência de jogos mais parrudos terem versões lançadas para smartphones. Eu não acho que esses aparelhos um dia vão 'comer' o mercado de PC ou de consoles, mas eles são uma ótima opção complementar para quem quer jogar em qualquer lugar e isso os torna atraentes", diz Vitor Martins, gerente da Razer para a América Latina.

A Razer foi pioneira no lançamento de um smartphone voltado para games: o Razer Phone, que chegou em novembro de 2017 com configuração de respeito e um visual diferenciado. Agora, a empresa aposta no sucessor Razer Phone 2, que deve chegar ao mercado brasileiro no início de 2019.

Para Martins, o lançamento de outros jogos mais pesados e de grande apelo de público tende a motivar uma segmentação no mercado de smartphones.

Não duvido que as empresas lancem cada vez mais celulares e quem não fizer isso vai ficar para trás. A presença de jogos cada vez mais exigentes vai propiciar o crescimento desse nicho

Uma marca que já está investindo nisso é a Samsung. Até o lançamento do Galaxy Note 9, a empresa não posicionava seus aparelhos tão enfaticamente como uma opção para quem procurava um smartphone para jogos. Isso mudou uma vez que donos do smartphone teriam acesso a itens exclusivos no game "Fortnite".

"Os smartphones passaram a ter configurações mais potentes, dignas de notebooks, o que permitiu elevar o nível dos aplicativos. O resultado disso é que temos aparelhos versáteis que permitem, por exemplo, sacar o celular do bolso em uma fila de banco e jogar um game do nível de 'Fortnite', um game de console, sem qualquer dificuldade", afirma Renato Citrini, gerente de produtos da área de dispositivos móveis da Samsung.

É um público exigente com performance, que liga para questões como processador, memória e com outros aspectos técnicos

Produtoras também se adaptam

E não são apenas as fabricantes que precisam se adaptar ao crescimento do público gamer. As produtoras de jogos encontram desafios na hora de publicar seus games para celulares. Um dos principais fatores diz respeito aos controles, especialmente de games mais complexos.

"Ao longo do tempo os jogos foram se adaptando bem. Nós pesquisamos com jogadores de games de tiro e a versão para celulares de 'PUBG' foi citada como uma referência. Isso, para mim, mostra que os desenvolvedores estão conseguindo adaptar suas mecânicas para levar os games para os celulares, diz Julio Cesar Vieitez, CEO da Level Up, empresa que publica a versão mobile de "PUBG" no Brasil. 

Outro ponto citado por Vieitez é que a presença desses jogos AAA - games de alto orçamento, normalmente restritos a PCs e consoles - nos smartphones ajuda a ampliar a comunidade desses games de maneira bastante sadia.

O 'PUBG' mobile vai muito bem no Brasil, é uma marca muito forte. E muita gente que está jogando essa versão nunca tinha jogado o game antes

Por outro lado, as produtoras também precisam se mexer para alcançar o maior número de pessoas possíveis, uma vez que a maioria dos consumidores não têm acesso a aparelhos mais parrudos.

"Nós trabalhamos para lançar a versão 'lite' de 'PUBG', que tem um mapa menor, menos jogadores e permitirá sessões mais curtas. E ele vai rodar em celulares mais simples, permitindo que mais pessoas tenham acesso ao jogo".

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