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DmC Devil May Cry

André Forte

do Gamehall

2013-01-14T06:01:00

14/01/2013 06h01

Mais bem resolvido que o game original, "DmC" mostra personalidade ao não se apoiar completamente em tudo o que já vimos no título para PlayStation 2. Aqui, o próprio Dante age de forma diferente e verossímil, a trama é melhor conduzida. Além disso, a mecânica renovada traz novas armas, novos golpes e um interessante sistema de escambo de habilidades que dá total liberdade e facilita um pouco a vida dos jogadores nos momentos mais tensos.

No geral, "DmC" é um ótimo jogo de ação, que se mostra muito melhor do que toda a polêmica envolvendo o novo visual do protagonista: a mecãnica renovada, o bom roteiro e o próprio Dante garantem a diversão e a ação frenética, essas sim, marcas registradas de "Devil May Cry".

Introdução

"DmC" é uma releitura ocidental do jogo originalmente produzido pela Capcom japonesa em 2001. Com uma versão mais jovem de Dante, o jogo da britânica Ninja Theory mostra o mundo completamente corrompido pelos demônios, que se apoiam no poder da mídia para cegar a humanidade para os males do grande diabo, Mundus.

Mesmo deixando de fora alguns personagens icônicos do passado, como a loirinha Trish e o demônio Phantom, "DmC" se vale de uma nova trama e um estilo artístico diferenciado para complementar suas batalhas empolgantes e um sistema de combate revigorado.

Pontos Positivos

Mecânica bem construída

A Ninja Theory não só assimilou bem o DNA de "Devil May Cry" para manter a alta qualidade do sistema de luta, mas conseguiu transformá-lo no melhor da série até o momento. Os combos seguem o padrão de sempre, com combinações aéreas e terrestres de golpes com a espada Rebellion, as pistolas Ivory e Ebony e outras armas clássicas e outras inéditas, como o machado demoníaco Arbiter e a foice angelical Osiris. Some a isso um intuitivo e interessante sistema de "escambo" de habilidades, em que o jogador tem a liberdade de melhorar determinado golpe da arma e, no futuro, poder cancelá-la para habilitar um novo golpe em qualquer outra arma.

O 'Devil Trigger' - habilidade que joga os inimigos para o alto e rende ao herói mais energia vital a cada golpe desferido -, também está de volta, mas com um agravante: em dificuldades mais avançadas até os inimigos podem se valer desse recurso. Retornam também elementos importantes na franquia, como as sequências de plataformas e itens como a orbe dourada, que garante ao herói o uso de 'continues', ou as estrelas, que lhe rendem a recuperação do poder Devil Trigger.

Por fim, um aviso aos fãs de desafio: enquanto a dificuldade ‘humano’ não é muito desafiadora e é nitidamente focada nos recém-chegados, há uma série de níveis mais avançados capazes de transformar "Ninja Gaiden" em um passeio no parque. O pior deles é o "Hell and Hell", que, além de modificar completamente a forma como os inimigos se movimentam, atacam e desviam dos ataques, ainda mata o herói com um simples golpe bem sucedido do adversário.

Com diversos extras, conquistas e artes conceituais desbloqueáveis, o jogo oferece muitas horas adicionais de diversão e desafio.

O novo Dante é um cara legal

Dizem que a primeira impressão é a que fica. Balela. Tente esquecer o visual 'emo' que foi tão criticado pelos fãs ao logo do desenvolvimento de "DmC". O novo Dante tem mais estilo e personalidade que o anterior.

Dante continua boca-suja, mas apesar de muito bem humorado, não é tão sem noção e pouco interessado ao que acontece ao seu redor. Apresentado como um Nefilim - meio angelical/meio demoníaco - o herói é até mais humanizado que o Dante original, se importando mais com o mundo ao seu redor e tomando decisões importantes e mais adequadas a um herói ao longo da trama.

O jogador pode até se decepcionar em um primeiro momento, dada a imaturidade demonstrada pelo garoto, mas os acontecimentos ao longo de "DmC" e as decisões tomadas retratam de maneira convincente e explicam a construção da sua personalidade até o fim do jogo.

Enredo convincente

Ok, a trama do primeiro "Devil May Cry" agradava e o clima gótico combinava com a história de demônios, mas "DmC" oferece uma história mais bem resolvida e convincente ao jogador. O jogo retrata um mundo "duplo", onde nada que os humanos enxergam é o que parece e a linha entre o bem e o mal é constantemente distorcida pela mídia.

Agora, a guerra entre Dante e os demônios acontecem no mundo dos humanos, em cidades que até lembram alguns lugares dos Estados Unidos, só que os demônios não são vistos pelos homens. Os humanos não fazem ideia de que eles existem, nem sua versão distorcida do mundo real. Por exemplo, todo o estrago feito por Dante na primeira fase -  um pier muito parecido com o de Santa Monica, com uma roda gigante entre as atrações -, é apontado pela mídia demoníaca como um ataque terrorista liderado por um 'tal de Dante'.

A história é bem amarrada e o ritmo de "DmC" empolga durante as quase 10 horas de duração. Não é algo cansativo, do contrário, termina na hora certa e não força tantos combates intermináveis quanto nos "Devil May Cry" de antigamente.

Artístico e imersivo

A Ninja Theory fez bonito na direção de arte de "DmC". Cada vez que Dante explora o cenário no mundo humano os cenários são completamente desfigurados pelos demônios, mostrando elementos borrados, almas condenadas sofrendo e até pessoas  totalmente desfiguradas.
Há cenas bem impressionantes e uma grande variedade de cenários criativos, como, por exemplo, a emissora de TV e a cidade de ponta-cabeça, com carros e ônibus flutuando. Tudo muito detalhado e imersivo.

Da mesma forma, há uma boa variedade de inimigos comuns e chefõe, com diferentes tamanhos e estilos de lutar. Em "DmC" o jogador enfrentará alguns dos chefes mais bacanas e desafiadores dos jogos de ação, não só pela mecânica e beleza dos seus cenários, mas também pelo contexto que os envolve e a forma como são apresentados.

Pontos Negativos

Faltou apuro técnico no visual

Segundo a Capcom, a Ninja Theory optou por manter a taxa de quadros do jogo dos consoles em 30 fps para se focar em deixar o visual mais bonito, mas infelizmente, nem tudo é tão belo de se ver em "DmC". A impressão que fica é que o jogo se esforça demais para manter os 30 quadros por segundo em cenários com mudanças dinâmicas tão complexas. Isso pode ser notado, principalmente, quando o jogador decide correr e girar a câmera ao mesmo tempo, resultando em grandes 'engasgadas' no game.

Não são poucas as vezes em que o cenário é infestado de texturas em baixíssima resolução e - pior - sem filtro gráfico algum para minimizar a má impressão. Como exemplo, o reflexo do céu nos carros contam com efeito similar ao visto em "Gran Turismo" para PS One, sem qualquer sinal de anti-aliasing.

É um defeito até curioso, já que a Ninja Theory é conhecida pelo apuro técnico em suas obras, tanto no rosto dos personagens quanto na beleza dos ambientes. Até o já antigo "Heavenly Sword" não apresentava tantas falhas técnicas.

Nota: 8 (Ótimo)

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